quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A INSERÇÃO DA CRIANÇA SURDA EM CLASSE DE CRIANÇAS OUVINTES FOCALIZANDO A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO SURDEZ, LÍNGUA DE SINAIS E INCLUSÃO.



Desde cedo a criança ouvinte tem a oportunidade de conviver com a língua utilizada por sua família. O interlocutor adulto colabora para que a linguagem da criança flua, oportunizando atitudes discursivas que favoreçam a aprendizagem e a identificação de aspectos importantes da língua na qual ela está sendo imersa, e que irá se apropriar ao longo de seu desenvolvimento.Os surdos encontram-se em classes/escolas especiais que atuam em uma perspectiva oralista, as quais pretendem em última análise que o aluno surdo comporte-se como um ouvinte, lendo nos lábios aquilo que não pode escutar, falando, lendo e escrevendo a Língua Portuguesa.

Muitos estudos indicam que pessoas surdas, nessas condições de escolarização, mesmo após vários anos, apresentam dificuldades em relação à aquisição de conhecimentos de maneira geral, e no uso da linguagem escrita, especialmente; em geral, porque as práticas educacionais não contemplam as reais necessidades dos surdos, fazendo com que eles apresentem conhecimentos muito além daqueles desejados para seu grau/anos de escolaridade.

Além disso, encorajar a integração apenas não é suficiente, é preciso prever antecipadamente acomodações, equipamentos, materiais e recursos necessários através dos quais, a condição básica para a efetivação dessa integração será dada, incluindo-se também a colaboração dos professores e a programação das atividades escolares e extra-escolares.Quando se opta pela inserção do aluno surdo na escola regular, esta precisa ser feita com muitos cuidados que visem garantir sua possibilidade de acesso aos conhecimentos que estão sendo trabalhados, além do respeito por sua condição lingüistica e por seu modo peculiar de funcionamento. Isso não parece fácil de ser alcançado e, em geral, vários desses aspectos não são contemplados.

A criança surda inserida num meio social de pessoas ouvintes que não se comunicam através da língua gestual, ficará privada do acesso e apropriação de uma língua de referência de modo espontâneo. Esse ambiente é fundamental, lugar privilegiado para que a criança possa desenvolver as suas capacidades linguísticas e cognitivas e também posicionar-se de modo singular no seu meio sócio-cultural.

Em muitos casos os surdos não sabem as LIBRAS, dificultando a comunicação desse surdo com sua família e a sociedade. Nesse caso, elas ensinam voluntariamente a LIBRAS ao surdo e a sua família, acabando assim com a barreira da comunicação. Quando constatamos surdos que já dominam o idioma contamos com um rico material visual que inclui um dicionário em Língua de Sinais e mais de 100 DVDs com filmes, poesia e traduções de livros mundialmente conhecidos diretamente na Língua de Sinais. Esses vídeos enfocam valores morais e éticos, que tem ajudado pessoas no mundo todo a desempenharem melhor seu papel dentro da família e no ambiente profissional, beneficiando assim toda a comunidade. Todo esse material tem sido disponibilizado aos surdos e seus familiares sem fins lucrativos.

A fase de crescimento, é comum que crianças tenham suas dúvidas, questionamentos e não entendam bem o que se passa no mundo que está em sua volta. Para uma criança com deficiência auditiva essas dificuldades são ainda maiores – afinal, um dos maiores estímulos que se pode receber, o som, não é compreendido por elas.

A pedagogia atual sugere que crianças surdas freqüentem as mesmas escolas que os jovens de sua idade que não possuam deficiência – mas também não exclui a necessidade de tratamentos específicos. É nesse ponto que o Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau), entidade ligada ao Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho da USP em Bauru, atua. O Cedau recebe crianças de 3 a 12 anos encaminhadas pelo Centrinho e direciona para elas uma educação complementar à que elas recebem nas escolas regulares.

Além do ensino de libras ao surdo, o Cedau procura qualificar professores das redes pública e privada no idioma. O centro oferece cursos para os professores que são essenciais para que as crianças recebam uma melhor educação nas escolas regulares.


INQUIETAÇÕES DA INCLUSÃO DOS SURDOS


O tratamento dado à surdez no cenário educacional dispensa uma discussão detalhada sobre a inserção social dos surdos em virtude dos sérios problemas enfrentados pelos mesmos, devido às inúmeras concepções advindas dos profissionais que atuam na educação.
A educação de surdos, além de ter origens históricas diferentes das do ensino regular e/ou de educação dos “ditos normais”, possui políticas diferentes. Cremos que, apesar de as políticas traçarem novas perspectivas, é a garantia da permanência do educando surdo no ensino regular que realmente faz com que as meras intenções se tornem realidade. Desse modo, a ausência de condições eficazes para tal permanência pode levar-nos a um grande retrocesso no que tange o direito dos alunos surdos à educação em condições de igualdade.
A inclusão de Surdos na rede regular de ensino, objetiva colocar a criança em condições sociais de vincular-se aos ouvintes, explorando ao máximo suas condições sócio-cognitivas para o acesso aos bens culturais, no qual o currículo necessita ser elaborado com metodologia que atenda de forma particular essas crianças respeitando suas peculiaridades, pressupõe acompanhamento, portanto, para o desenvolvimento da criança Surda na rede regular de ensino, deve-se considerar a necessidade da capacitação dos professores para este trabalho. Para tal, esse professor deve ter conhecimento dos novos paradigmas de avaliação, bem como de métodos e técnicas adequados para a realização de um trabalho sistemático e contínuo de acompanhamento. A escola é a mediadora, pois situa o aluno entre ela e a sociedade (relação interpessoal). É no contexto escolar que Surdos e ouvintes num processo natural de aprendizagem e socialização, transformarão a própria práxis pedagógica. Os educadores, sempre acreditaram que o ambiente escolar deve proporcionar prazer e satisfação e, para tal lutam por um processo educacional mais livre de tantas imposições externas, frias, totalmente eqüidistantes da realidade vivenciada pelos mesmos. Ser educador é bem diferente de se estar educador. Sendo assim, as condições propostas de avaliação do aprendizado acadêmico, a expressão e o julgamento do educador, redimensiona o processo avaliativo visando à formação de alunos como agentes transformadores com tomada de decisão sem impor e/ou sem reproduzir modelos ditatoriais.
A pedagogia atual sugere que crianças surdas freqüentem as mesmas escolas que os jovens de sua idade que não possuam deficiência – mas também não exclui a necessidade de tratamentos específicos.Uma das primeiras iniciativas das escolas especializadas nesse assunto é ensinar aos seus alunos a língua brasileira de sinais (libras).Muitos surdos criam um sistema de se comunicar por gestos com os familiares e as pessoas mais próximas. Mas o adequado é que eles saibam se comunicar com a libras, que é a linguagem reconhecida.A libras é um sistema de comunicação reconhecido oficialmente pelo governo brasileiro desde 2002.



Crianças com necessidades especiais – a escola lidando com a diversidade

A política de inclusão de crianças nas escolas regulares brasileiras completa dez anos em 2006.Apesar disso ainda são grandes os desafios das escolas regulares, públicas ou privadas que trabalham com crianças com necessidades especiais. Os problemas vão desde as barreiras arquitetônicas, até a necessidade de uma mudança efetiva para que se chegue a uma escola realmente inclusiva, que garanta o atendimento à diversidade das crianças. Não se pode perder de vista ainda que a determinação legal afetou padrões construídos durante décadas no espaço educacional.

As escolas de hoje são muito conteudistas. É preciso mudar a forma de ensinar para mudar as formas de aprender. É preconceito achar que todos aprendem igual. Existem diferentes formas de promover o desenvolvimento da criança.


Capacitação dos professores-sem preconceitos


Os professores da educação especializada precisam também aprender a distinguir as suas funções das dos professores comuns, ensinando, sem repetir nas classes especiais, o que é próprio da escola comum, como acontece muito, até hoje, nas escolas especiais.O primeiro passo da inclusão é entender e aceitar que cada criança tem um ritmo, tendo ela uma necessidade especial ou não. É preciso conhecer a criança sem o rótulo de uma doença.